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IBS · CBS · ALÍQUOTA DE REFERÊNCIA · Reforma Tributária — a alíquota, ano a ano

Qual será a alíquota da Reforma Tributária.
o que já é lei, e o que ainda é referência.

A pergunta que todo mundo faz — e quase todo site responde errado. Em 2026 a alíquota é de teste (1%); a partir de 2027 vale a referência de 8,8% (CBS) e cerca de 17,7% (IBS), somando aproximadamente 26,5%. Mas atenção: esse número ainda não é lei.

Publicado 22 de julho de 2026 · Atualizado 23 de julho de 2026 · Leitura 10 min

Nenhuma pergunta sobre a Reforma Tributária é feita com mais frequência — e respondida com mais imprecisão — do que "qual vai ser a alíquota?". A resposta honesta tem duas camadas. A primeira é o que já está fixado em lei: durante 2026, em fase de teste, o IBS é cobrado a 0,1% e a CBS a 0,9% (LC 214/2025, arts. 343 e 346). A segunda é o que ainda é referência: para 2027 em diante, os estudos oficiais apontam alíquota de referência de cerca de 8,8% para a CBS e de aproximadamente 17,7% para o IBS — uma alíquota-padrão em torno de 26,5%. Esse número, porém, ainda não foi instituído: ele será fixado por Resolução do Senado Federal (art. 349), com base em cálculos do Tribunal de Contas da União, e pode ser recalibrado para manter a arrecadação. Muitos sites publicam "26,5%" como se fosse lei; a equipe da TaxUp reuniu, nesta página, o que é fato e o que é projeção — ano a ano.

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O que já é lei — e o que ainda é referência

Duas coisas diferentes, sempre confundidas

Falar em "alíquota da Reforma" mistura dois conceitos que a LC 214/2025 mantém separados:

  • Alíquotas de teste (2026) — já são lei. Para os fatos geradores de 2026, o IBS é cobrado à alíquota estadual de 0,1% (art. 343) e a CBS à alíquota de 0,9% (art. 346), somando 1%. É uma fase operacional, compensável com o sistema atual, para testar sistemas e notas fiscais — não representa a carga futura.
  • Alíquotas de referência (2027 em diante) — ainda são projeção. A partir de 2027, cada ente passa a aplicar uma "alíquota de referência", calibrada para reproduzir a arrecadação atual dos tributos que estão sendo substituídos (princípio da neutralidade). Os estudos oficiais projetam 8,8% para a CBS e cerca de 17,7% para o IBS — total aproximado de 26,5%. Mas esse valor ainda não foi fixado em lei.

É por isso que a resposta correta não é um número seco. É: a alíquota-padrão de referência está projetada em torno de 26,5%, mas o valor definitivo será fixado por Resolução do Senado e pode variar. Quem crava "a alíquota é 26,5%" está tratando uma projeção como se fosse a lei.

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As alíquotas ano a ano (2026-2033)

A transição é escalonada: a CBS assume cedo, o IBS entra em frações crescentes enquanto ICMS e ISS saem, e o sistema só fica pleno em 2033.

PeríodoCBSIBSO que é
2026 (teste)0,9%0,1%Fixado em lei (arts. 346 e 343). Fase de teste, compensável — não é a carga futura.
2027-2028Alíquota de referência (~8,8%)0,1% (0,05% estadual + 0,05% municipal)A CBS assume e o PIS/Cofins são extintos; o IBS ainda é simbólico (art. 344).
2029-2032~8,8%Frações crescentes da referência (de 1/10 a 4/10)Transição federativa: o IBS sobe enquanto ICMS e ISS caem (de 9/10 a 6/10), nos termos da EC 132/2023 (ADCT).
2033 (pleno)~8,8%Alíquota de referência (~17,7%)Sistema pleno: ICMS, ISS, PIS e Cofins extintos. Alíquota-padrão total projetada de ~26,5%.
⛔ Os valores de referência (8,8% / ~17,7% / ~26,5%) são a projeção oficial calibrada, ainda NÃO fixada em lei — serão definidos por Resolução do Senado (LC 214/2025, art. 349). Só as alíquotas de teste de 2026 (0,9% e 0,1%) estão cravadas em lei.

Uma leitura importante: mesmo em 2033, quase ninguém pagará a alíquota-padrão cheia. Setores essenciais têm regimes diferenciados — reduções de 30%, 40%, 60% e alíquota zero — que baixam a carga efetiva sobre a alíquota de referência.

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Como a alíquota é fixada — e por que ninguém pode cravar

O rito do art. 349

A alíquota de referência não é definida "no chute" nem por quem escreve sobre o tema. Ela segue um rito legal específico (art. 349 da LC 214/2025):

  • O Tribunal de Contas da União calcula as alíquotas de referência com base na arrecadação real dos tributos substituídos e envia ao Senado até 15 de setembro do ano anterior ao de vigência;
  • O Senado Federal fixa as alíquotas por resolução até 31 de outubro do ano anterior;
  • A referência da CBS é fixada para os anos de 2027 a 2033; a do IBS, para 2029 a 2033.

Na prática, isso significa que a alíquota de referência de um ano só se torna definitiva no fim do ano anterior. A referência para 2027, por exemplo, é fixada até o fim de 2026. Por isso, hoje, o "8,8%" e o "26,5%" são a melhor projeção oficial disponível — não a norma vigente. É uma diferença que importa: a projeção pode ser recalibrada a cada ano para preservar a arrecadação.

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O teto de 26,5% e a recalibração

De onde vem o número 26,5%

O 26,5% que circula não é a alíquota instituída: é um teto legal de referência. O art. 475, § 11, da LC 214/2025 determina que, caso a soma das alíquotas de referência estimadas do IBS e da CBS a serem aplicadas a partir de 2033 resulte em percentual superior a 26,5%, seja adotada uma trava — um mecanismo de revisão para conter a carga. Ou seja, 26,5% funciona como um gatilho, não como a alíquota que a lei fixou.

Além disso, a lei prevê avaliações quinquenais que podem recomendar a revisão dos regimes e das alíquotas. A carga é, portanto, um alvo móvel dentro de uma faixa: as estimativas de mercado variam de 26,5% a cerca de 28%, dependendo de quantas exceções e regimes reduzidos entram na conta. Quem precisa de um número para 2027 deve trabalhar com a referência de 8,8% (CBS) e planejar cenários para o IBS — não com uma alíquota única e definitiva, que ainda não existe.

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Como a equipe da TaxUp trata a alíquota

Da alíquota de referência à alíquota efetiva do seu negócio

A alíquota que importa para uma empresa não é a de referência, e sim a efetiva — o que sobra depois dos regimes de redução, dos créditos e do mix de operações. Uma indústria com cadeia longa de créditos, um prestador de serviços intensivo em mão de obra e um hospital sob regime específico chegam a cargas muito diferentes, ainda que partam da mesma alíquota de referência.

A equipe da TaxUp acompanha a fixação das alíquotas de referência (art. 349) e projeta a alíquota efetiva de cada operação com base na LC 214/2025 e na regulamentação, sem cravar números que a lei ainda não fixou. Para estimar o IBS e a CBS sobre uma operação, veja a calculadora de IBS e CBS; para discutir a carga efetiva do seu setor, é possível agendar uma conversa com a equipe da TaxUp.

Para um exame aprofundado da distinção entre alíquota de referência e alíquota efetiva, a equipe da TaxUp publicou um working paper — "A alíquota de referência do IBS e da CBS na Reforma Tributária brasileira: neutralidade, teto do art. 475 e o rito de fixação" (DOI 10.5281/zenodo.21500918, CC BY 4.0) —, com base integral na LC 214/2025 e na EC 132/2023.

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Referências e fontes oficiais

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Perguntas frequentes

Qual é a alíquota da CBS e do IBS em 2026?
Em 2026, em fase de teste, a CBS é cobrada a 0,9% e o IBS a 0,1%, somando 1% (LC 214/2025, arts. 346 e 343). É uma cobrança operacional, compensável com o sistema atual, criada para testar sistemas e notas fiscais — não representa a carga tributária futura, que começa a valer em 2027.
A alíquota de 26,5% já está definida em lei?
Não. Os 26,5% (cerca de 8,8% de CBS e 17,7% de IBS) são a projeção oficial da alíquota de referência, calibrada para manter a arrecadação. A lei ainda não fixou esse valor: ele será definido por Resolução do Senado Federal (art. 349), com cálculo do Tribunal de Contas da União, no ano anterior ao de vigência. O próprio art. 475, § 11, trata 26,5% como um teto de referência, não como a alíquota instituída.
Quando o valor final da alíquota será conhecido?
A alíquota de referência de cada ano é fixada por Resolução do Senado até 31 de outubro do ano anterior, a partir de cálculos que o TCU envia até 15 de setembro (art. 349). A referência da CBS é fixada para 2027 a 2033, e a do IBS para 2029 a 2033. Ou seja, o número definitivo de cada ano só se consolida no fim do ano anterior, e pode ser recalibrado.
Por que os sites divergem sobre a alíquota da Reforma?
Porque tratam uma projeção como se fosse lei. O que está fixado em lei é a fase de teste de 2026 (1%). Para 2027 em diante, há apenas a alíquota de referência projetada (~8,8% de CBS, ~17,7% de IBS, ~26,5% no total), que ainda depende de Resolução do Senado e de recalibração anual. As estimativas de mercado variam de 26,5% a cerca de 28% conforme o número de exceções considerado.
Minha empresa vai pagar 26,5% de IBS e CBS?
Provavelmente não a alíquota-padrão cheia. A alíquota de referência é o ponto de partida; a carga efetiva depende dos regimes de redução aplicáveis (30%, 40%, 60% ou alíquota zero para setores essenciais), dos créditos que a empresa aproveita e do mix de operações. Empresas do mesmo porte, em setores diferentes, chegam a cargas efetivas bastante distintas a partir da mesma alíquota de referência.
Como funciona o diagnóstico gratuito da TaxUp?
O diagnóstico inicial é uma reunião de 30 minutos, sem custo e sem compromisso, conduzida por um consultor sênior. Mapeamos a situação tributária da empresa, identificamos as oportunidades aplicáveis e indicamos o caminho técnico mais sustentável — independentemente de você seguir conosco. Para casos urgentes (autuação recente, prazo decadencial próximo, edital de transação ativo), a análise pode ser priorizada.
Quem conduz o projeto na TaxUp?
O consultor responsável conduz o projeto pessoalmente, do diagnóstico inicial à entrega final. Você fala diretamente com quem assina o parecer e decide a tese — sem camadas hierárquicas intermediárias. Sustentação oral em CARF e tribunais superiores é sempre conduzida pelo consultor que conhece o caso desde o início.
Como é o modelo de honorários?
Varia por tipo de projeto. Para recuperação de créditos com tese consolidada, trabalhamos preferencialmente em success fee (sem custo antecipado, percentual sobre o valor recuperado). Para projetos complexos com perícia ou tese controvertida, modelo misto (fixo reduzido + êxito menor). Para Transfer Pricing, Compliance e Planejamento, honorário por escopo. Em todos os casos, o modelo é proposto após o diagnóstico inicial gratuito.
AUTORIA TÉCNICA

Equipe TaxUp · Prática Tributária

Direito Tributário

Conteúdo redigido pela equipe técnica da TaxUp e validado por consultor sênior antes da publicação. Conhecer o escritório →

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