O split payment é o mecanismo da Reforma Tributária em que o IBS e a CBS são segregados e recolhidos no momento da liquidação financeira do pagamento — Pix, boleto, TED, TEF e, em etapa posterior, cartões. Em vez de receber o valor cheio e recolher o tributo depois, o fornecedor recebe o valor líquido, e a parcela do imposto segue direto para a Receita Federal (CBS) e para o Comitê Gestor do IBS. A figura está prevista nos arts. 31 a 35 da Lei Complementar 214/2025, foi regulamentada pelo Decreto 12.955/2026 e ganhou especificação técnica com o Manual de Integração da Plataforma Pública (Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 2/2026). A operação começa facultativa em 2027, restrita a operações entre empresas, e se torna obrigatória em etapa seguinte, ainda sem data marcada.
O que é o split payment (e o que muda em relação a hoje)
No sistema atual, o tributo embute-se no preço e transita pelo caixa do vendedor: a empresa recebe o valor cheio da fatura, apura ICMS, ISS, PIS e COFINS e recolhe no mês seguinte. Entre o recebimento e o recolhimento, o valor do imposto funciona como capital de giro — e, quando a empresa quebra, atrasa ou sonega, o Fisco fica sem o tributo que o consumidor já pagou.
O split payment inverte essa lógica. A LC 214/2025 lista o split como uma das modalidades de extinção do débito de IBS e CBS (art. 27, III) e disciplina seu funcionamento nos arts. 31 a 35: quem segrega e recolhe é o prestador de serviço de pagamento, no exato momento em que a transação é liquidada.
Na prática, o fluxo de um pagamento com split tem cinco momentos:
- Emissão — o fornecedor emite o documento fiscal com IBS e CBS destacados e origina a cobrança (boleto, Pix, TED, TEF) já com os campos do tributo e a identificação do documento fiscal.
- Pagamento — o cliente paga o valor cheio. Nada muda para quem paga.
- Consulta — antes de liberar o dinheiro, o sistema de pagamento consulta a plataforma de governança compartilhada da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS para saber quanto daquele débito ainda está em aberto.
- Segregação — o prestador separa apenas o valor devido e o repassa à União (CBS) e ao Comitê Gestor (IBS).
- Liquidação líquida — o fornecedor recebe o valor sem o imposto. O crédito do comprador nasce vinculado a esse pagamento confirmado, não apenas ao destaque na nota.
Esse último ponto explica por que o split payment é mais que um mecanismo de cobrança: a LC 214 conecta a apropriação de créditos (arts. 47 a 56) à efetiva extinção do débito na etapa anterior. O split é o caminho mais rápido para essa extinção — e, por isso, tende a se tornar o padrão de mercado nas operações entre empresas, mesmo na fase facultativa.
Base normativa: onde cada regra está escrita
Quem quiser conferir as regras na fonte encontra o split payment em camadas normativas, cada uma com um papel:
| Norma | Data | O que define |
|---|---|---|
| EC 132/2023 | 20/12/2023 | Autoriza o novo modelo de recolhimento na reforma do consumo |
| LC 214/2025, arts. 31 a 35 | 16/01/2025 | Cria o split payment: deveres dos prestadores de pagamento, procedimento padrão (art. 32), procedimento simplificado (art. 33), devolução de excessos |
| LC 214/2025, art. 36 | 16/01/2025 | Recolhimento pelo adquirente — modalidade própria para pagamentos por instrumento que não comporta a segregação (ex.: dinheiro em espécie) |
| Decreto 12.955/2026, arts. 28 a 39 | 29/04/2026 (DOU 30/04) | Regulamento da CBS: lista os 12 arranjos, detalha procedimentos padrão e simplificado, antecipação de recebíveis, ZFM, ressarcimentos e implementação em no mínimo 2 etapas |
| Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 2/2026 | DOU 03/06/2026 | Aprova o Manual de Integração v1.0 e o Swagger da Plataforma Pública do Split Payment — a especificação técnica das APIs |
| Atos conjuntos futuros | pendentes | Cronograma de ativação de cada etapa, percentuais do procedimento simplificado por setor, habilitação dos arranjos |
A leitura conjunta importa porque cada camada usa um vocabulário próprio — é daí que vem boa parte da confusão sobre as "modalidades" do split payment, tratada na seção seguinte.
Procedimentos e modalidades: o mapa completo
A LC 214/2025 estrutura o split payment em dois procedimentos — padrão e simplificado — cercados por salvaguardas de contingência. Sobre essa base legal, a camada técnica da Plataforma Pública desdobrou o procedimento padrão em modos operacionais que o mercado apelidou de "super inteligente" e "off-line". As duas nomenclaturas descrevem o mesmo sistema, em planos diferentes.
Procedimento padrão (split "inteligente") — art. 32 da LC 214; art. 29 do Decreto
É o núcleo do sistema. O originador transmite ao prestador de pagamento as informações que vinculam o pagamento à operação e identificam o valor de IBS/CBS. Antes de liberar os recursos, o prestador consulta a plataforma e segrega apenas a diferença entre o débito indicado no documento fiscal e as parcelas já extintas — se parte do imposto daquela nota já foi compensada com créditos ou paga, o sistema não retém de novo.
Dentro do padrão, a operação acontece em dois modos:
- Modo pleno ("super inteligente") — há comunicação em tempo quase real com a Receita e o Comitê Gestor. No Manual de Integração, é o fluxo de Retorno Super Inteligente: o Fisco devolve ao prestador o valor corrigido e o valor ainda em aberto do tributo daquela transação, e a segregação sai no valor exato. Vale para boleto, Pix dinâmico e Pix automático.
- Modo alternativo ("off-line") — quando a consulta não está disponível, o prestador retém o valor integral destacado e o excedente é devolvido ao fornecedor em até 3 dias úteis, contados da liquidação ou da vinculação da operação ao documento fiscal, o que ocorrer por último (LC 214, art. 32, § 4º).
Procedimento simplificado — art. 33 da LC 214; art. 30 do Decreto
Pensado para o varejo e para operações em que o adquirente não é contribuinte do regime regular (consumidor final, optantes do Simples). Em vez de consulta, aplica-se um percentual preestabelecido por ato conjunto da RFB e do Comitê Gestor sobre o valor da operação, com ajuste no fechamento do período de apuração.
Três regras do regulamento merecem atenção:
- A originação de transação sem a identificação dos valores de CBS/IBS implica opção automática pelo procedimento simplificado (Decreto, art. 30, § 3º). Preencher errado já é optar.
- O recolhimento pelo simplificado não gera direito a crédito para o adquirente contribuinte do regime regular (Decreto, art. 30, § 7º, II) — um motivo forte para o B2B exigir o procedimento padrão do fornecedor.
- O ato conjunto pode tornar o simplificado compulsório nas operações B2C enquanto o procedimento padrão não funcionar adequadamente nos principais instrumentos de pagamento.
Contingência e recolhimento pelo adquirente — art. 32 (salvaguardas) e art. 36 da LC 214
Para falhas de sistema, a própria lei prevê a retenção integral temporária com devolução em 3 dias úteis (o modo "off-line" acima). Já os pagamentos por instrumento que não permite a segregação — dinheiro em espécie, por exemplo — ficam fora do split: nesses casos a lei oferece o recolhimento pelo adquirente (art. 36), modalidade de extinção autônoma listada no art. 27, IV.
| Padrão · modo pleno ("super inteligente") | Padrão · modo alternativo ("off-line") | Simplificado | Recolhimento pelo adquirente | |
|---|---|---|---|---|
| Base | LC 214, art. 32; Decreto, art. 29 | LC 214, art. 32, § 4º; Decreto, art. 29 | LC 214, art. 33; Decreto, art. 30 | LC 214, arts. 27, IV e 36 |
| Como calcula | Consulta em tempo real; segrega só o valor em aberto, já considerando extinções | Retém o valor integral destacado no documento fiscal | Percentual fixo preestabelecido por ato RFB/CGIBS | Adquirente recolhe diretamente |
| Acerto posterior | Não precisa | Devolução do excesso em até 3 dias úteis | Ajuste no fechamento do período | Apuração normal |
| Para quem | B2B no regime regular (1ª etapa) | Mesmo público, em indisponibilidade | Varejo/B2C e adquirente fora do regime regular | Pagamentos fora dos arranjos (ex.: espécie) |
| Crédito do adquirente | Nasce com o pagamento confirmado | Nasce com o pagamento confirmado | Não gera crédito p/ adquirente do regime regular | Conforme regras gerais |
| Impacto no caixa | Menor retenção possível | Retenção cheia por até 3 dias úteis | Retenção média setorial | Nenhum (não há segregação) |
Os 12 arranjos de pagamento alcançados
A LC 214 delegou ao regulamento a lista dos arranjos sujeitos ao split. O Decreto 12.955/2026 (art. 28, § 5º) trouxe doze, e o art. 33 os distribuiu em etapas de implementação:
| # | Arranjo | Entrada no split |
|---|---|---|
| I | Boleto | 1ª etapa (2027, facultativa) |
| II | Pix — QR Code dinâmico | 1ª etapa |
| III | Pix automático | 1ª etapa |
| IV | Pix — QR Code estático | 1ª etapa |
| V | Pix — chave ou agência/conta | 1ª etapa |
| VI | TED | 1ª etapa |
| VII | TEF | 1ª etapa |
| VIII | Cartão de crédito | 2ª etapa (data a definir) |
| IX | Cartão de débito | 2ª etapa |
| X | Cartão pré-pago | 2ª etapa |
| XI | Voucher (arranjos abertos e fechados) | 2ª etapa |
| XII | Outros incluídos por ato conjunto RFB/CGIBS | conforme o ato |
Dois pontos práticos. Primeiro: cartões não ficaram de fora — apenas entram depois, de forma obrigatória, junto com as operações B2C. Segundo: dinheiro em espécie e cheque não aparecem na lista porque não são arranjos de pagamento eletrônico; para eles vale o recolhimento pelo adquirente (art. 36).
Cronograma: do texto constitucional à operação plena
| Quando | Marco |
|---|---|
| dez/2023 | EC 132 cria o novo modelo de tributação do consumo |
| jan/2025 | LC 214 institui IBS, CBS e o split payment (arts. 31 a 35) |
| 2026 | Ano-teste da reforma (alíquotas de 0,1% IBS + 0,9% CBS, caráter informativo). Não há split em produção: é o ano de especificação e homologação — Decreto 12.955 (abril) e Manual de Integração da Plataforma Pública (junho) publicados; prestadores desenvolvem e testam integrações |
| 2027 | 1ª etapa do split payment: facultativa, restrita a operações entre contribuintes do regime regular (B2B), nos arranjos I a VII (boleto, Pix, TED, TEF), no procedimento padrão. CBS plena entra em vigor; IS começa |
| data a definir | 2ª etapa: obrigatória, alcança cartões, vouchers e operações B2C (com procedimento simplificado habilitado em todos os arranjos). Ativação por ato conjunto RFB/CGIBS |
| 2029–2032 | Phase-in do IBS substituindo ICMS/ISS — volume processado pelo split cresce ano a ano |
| 2033 | Sistema pleno: IBS e CBS substituem integralmente os tributos atuais sobre consumo |
A mensagem para o financeiro é direta: 2026 é o último ano inteiro sem tributo saindo na liquidação. Quem opera B2B com boleto, Pix e transferência deve assumir 2027 como horizonte de adaptação — ainda que facultativa, a adesão dos grandes compradores tende a puxar a cadeia inteira, porque o crédito deles passa a depender do pagamento confirmado. Veja o calendário completo em período de transição da Reforma.
A Plataforma Pública: quem faz o quê
A infraestrutura que conecta bancos e Fisco é a Plataforma Pública do Split Payment, especificada no Manual de Integração v1.0 (Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 2/2026). Ela funciona como um hub de comunicação: recebe os eventos dos prestadores de pagamento, valida, registra para auditoria e repassa à Receita Federal e ao Comitê Gestor — sem executar regra de negócio.
| Agente | Papel no split |
|---|---|
| Originador da transação (fornecedor/credor) | Emite a cobrança com IBS/CBS identificados e vinculados ao documento fiscal |
| Prestadores e operadoras (com a Núclea nos fluxos de boleto/Pix) | Transmitem os informes, executam a segregação na liquidação e repassam os valores |
| Plataforma Pública | Hub: valida sintaxe/semântica, garante rastreabilidade, distribui eventos |
| RFB e Comitê Gestor do IBS | Recebem os dados, devolvem correções e valores em aberto (fluxo "Retorno Super Inteligente"), administram a arrecadação |
O manual descreve sete fluxos de dados — da Transação Iniciada ao Informe de Segregação e às consultas do Retorno Super Inteligente — e padroniza erros, auditoria e rastreabilidade ponta a ponta. Para a empresa não financeira, o detalhe técnico importa menos que a consequência: a qualidade do preenchimento da cobrança passa a determinar o tratamento tributário do pagamento. Cobrança originada sem os campos de IBS/CBS cai automaticamente no procedimento simplificado, com as desvantagens vistas na seção anterior.
Impacto no fluxo de caixa: o ponto que dói
O split payment retira do caixa da empresa um valor que hoje permanece nele por semanas: o tributo embutido na fatura. O efeito é de transição — o que se perde é o float, não margem — mas precisa ser planejado.
Exemplo numérico
Considere uma venda B2B de R$ 100.000, com alíquota-padrão conjunta de IBS+CBS estimada em 26,5%* (teto-gatilho do art. 475 §11, não a alíquota fixada):
| Regime atual | Com split payment | |
|---|---|---|
| Fatura emitida | R$ 126.500 | R$ 126.500 |
| Valor que entra no caixa | R$ 126.500 | R$ 100.000 |
| Tributo | Recolhido pela empresa no mês seguinte | R$ 26.500 segregados na liquidação |
| Float (uso temporário do tributo) | ~30–45 dias | Zero |
*Alíquota ilustrativa, baseada na referência discutida na regulamentação; os percentuais definitivos serão fixados por resolução do Senado e atos do Comitê Gestor.
Antecipação de recebíveis: a regra que muda o jogo
O Decreto 12.955/2026 (art. 31, III) é expresso: a liquidação antecipada de recebíveis não altera a obrigação de segregação. Se a empresa antecipa a fatura com banco ou FIDC, recebe o líquido antecipado — mas o split acontece quando o cliente paga cada parcela, no calendário original. O custo-benefício de antecipação e securitização precisa ser recalculado com o tributo fora da base.
O que fazer (antes de 2027)
- Reprojetar o caixa: orçamento 2027 com recebimentos líquidos de IBS/CBS nas operações B2B em split.
- Rever prazos e contratos: cláusula tributária explícita, política de desconto e prazo recalibradas sem o float.
- Reavaliar linhas de capital de giro: o "tributo a pagar" deixa de financiar a operação; em contrapartida, devoluções e ressarcimentos ficam mais rápidos (seção seguinte). Veja também o crédito financeiro do IBS/CBS.
- Garantir o procedimento padrão: cobranças bem originadas evitam a queda automática no simplificado — que retém por média setorial e não gera crédito ao seu cliente.
Devoluções e ressarcimento: os novos prazos
O desenho do split vem acompanhado de prazos de devolução mais curtos — a contrapartida desenhada para o aperto de caixa:
| Situação | Prazo | Base |
|---|---|---|
| Retenção a maior no procedimento padrão (modo alternativo/off-line) | Até 3 dias úteis da liquidação ou da vinculação ao documento fiscal | LC 214, art. 32, § 4º |
| Excedente no procedimento simplificado | Transferência ao fornecedor em até 3 dias úteis após o ajuste do período | LC 214, art. 33 |
| Ressarcimento de saldo credor — contribuinte em programa de conformidade | Apreciação em até 30 dias | Decreto, art. 39, § 9º |
| Ressarcimento de saldo credor — critérios de valor e perfil | Até 60 dias | Decreto, art. 39, § 9º |
| Ressarcimento de saldo credor — demais casos | Até 180 dias | Decreto, art. 39, § 9º |
Sem manifestação do Fisco no prazo, o crédito é ressarcido automaticamente nos 15 dias seguintes; persistindo o atraso, o saldo passa a ser corrigido pela Selic. Para empresas estruturalmente credoras (exportadoras, investimento pesado), o split payment acelera o ciclo do crédito — um dos poucos pontos em que o novo sistema devolve caixa em vez de tomar.
Casos especiais
Simples Nacional
Quem permanece no regime unificado não tem split payment — recolhe pelo DAS. A exceção é o optante que escolher apurar IBS/CBS por fora, no regime regular ("Simples híbrido"): a parcela IBS/CBS das suas operações entra na lógica do split. Essa escolha conecta-se à Decisão Simples 2027, porque o crédito que o cliente B2B aproveita muda de tamanho conforme a opção.
Zona Franca de Manaus
O regulamento criou regra própria (Decreto, art. 29, § 7º): nas transações destinadas à indústria incentivada da ZFM, o originador pode aplicar os percentuais de incentivo sobre cada débito de CBS para reduzir os valores segregados. O benefício é considerado no ato da retenção — sem reter cheio para devolver depois. O tema dialoga com o fim dos incentivos de ICMS.
Varejo e B2C
As vendas a consumidor final entram apenas na 2ª etapa, em todos os arranjos simultaneamente, com o procedimento simplificado habilitado (e possivelmente compulsório no início). Cartões de crédito/débito, principal meio do varejo, estão fora da 1ª etapa — o comércio terá mais tempo de adaptação, mas com percentual fixo de retenção quando chegar.
Devoluções, cancelamentos e cartões
Cancelamento de venda com split executado exige estorno do tributo segregado — os procedimentos operacionais serão detalhados em ato conjunto, e o ERP precisa registrar o vínculo pagamento ↔ documento fiscal para suportar o acerto. Nos cartões, a segregação ocorrerá na liquidação ao lojista, o que coloca as credenciadoras no centro da 2ª etapa.
Experiência internacional: o que funcionou e o que falhou
O Brasil não inventou o split payment — mas será o primeiro a aplicá-lo de forma ampla, integrada ao sistema de pagamentos instantâneos e ao documento fiscal eletrônico.
| País | Desenho | Resultado |
|---|---|---|
| Itália (2015– ) | Split de IVA restrito a vendas ao poder público (B2G) e setores específicos | Aumento de arrecadação; renovações sucessivas autorizadas pela UE |
| Polônia (2018– ) | Voluntário em 2018; obrigatório desde nov/2019 para setores sensíveis (construção, metais, eletrônicos) acima de limiar por transação, com conta bancária dedicada de IVA | Redução do gap de IVA; custo operacional relevante para empresas |
| Romênia (2018–2020) | Obrigatório para devedores e empresas em insolvência | Revogado após objeções da Comissão Europeia e dificuldades operacionais |
As lições que a regulamentação brasileira tenta incorporar: gradualismo (duas etapas, começo facultativo), devolução rápida de excessos (3 dias úteis, contra semanas no modelo polonês) e segregação calculada pelo valor em aberto — em vez da retenção bruta que sufocou o caixa nas experiências europeias. Se a tecnologia entregará esse desenho é a aposta central de 2026–2027.
Riscos e pontos de atenção
- Capital de giro: o fim do float tributário chega junto com a transição do ICMS — empresas alavancadas em prazo de fornecedor sentem primeiro.
- Queda automática no simplificado: cobrança originada sem os campos de IBS/CBS vira opção automática pelo percentual fixo (Decreto, art. 30, § 3º) — sem retificação para aquela operação e sem crédito para o seu cliente do regime regular. Erro de TI vira custo comercial.
- Conciliação: o financeiro passa a conciliar três valores por recebimento (bruto faturado, líquido recebido, tributo segregado) — e a defender devoluções no prazo de 3 dias úteis.
- Pendências regulatórias: ainda dependem de ato conjunto RFB/CGIBS o cronograma da 2ª etapa, os percentuais do simplificado por setor, a habilitação de cada arranjo e os procedimentos de cancelamento. Esta página é atualizada a cada ato publicado.
- Setor financeiro: prestadores e credenciadoras carregam o custo de integração (sete fluxos de API, janelas de tempo, auditoria ponta a ponta) — custo que tende a ser repassado em tarifa.
Como se preparar: o roteiro TaxUp
| Frente | O que fazer em 2026 |
|---|---|
| Financeiro | Reprojetar fluxo de caixa 2027 sem float tributário; renegociar linhas e prazos; recalcular antecipação de recebíveis |
| Fiscal | Mapear operações por arranjo de pagamento e contraparte (regime regular × consumidor); simular procedimento padrão × simplificado |
| TI / ERP | Garantir originação de cobranças com IBS/CBS e vínculo ao documento fiscal; preparar conciliação a três pontas e tratamento de estornos. Conecta-se à adaptação da NF-e |
| Comercial / Jurídico | Cláusulas tributárias nos contratos; política de preço e prazo recalibrada; comunicação com clientes B2B sobre crédito condicionado. Apoio em compliance tributário |
A Reforma vai premiar quem tratar 2026 como ano de projeto, não de espera. No split payment isso é literal: quem chegar a 2027 com cobrança bem originada e caixa reprojetado transforma a obrigação em vantagem competitiva — inclusive na visão do cliente, cujo crédito depende do pagamento confirmado.
— Equipe TaxUp, Prática Tributária
Referências e fontes oficiais
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Agendar diagnósticoPerguntas frequentes
O que é split payment?
Quando o split payment entra em vigor?
Quais são as modalidades de split payment?
O que é o split payment "super inteligente"?
Qual a diferença entre o procedimento padrão e o simplificado?
Quais pagamentos terão split payment?
Empresas do Simples Nacional terão split payment?
O split payment vale para cartão de crédito?
E se for retido mais imposto do que o devido?
A antecipação de recebíveis muda o split payment?
Por que o split payment foi criado?
Onde consultar as regras oficiais do split payment?
Como funciona o diagnóstico gratuito da TaxUp?
Quem conduz o projeto na TaxUp?
Como é o modelo de honorários?
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