O ITCMD fluminense é progressivo desde 2017, com seis faixas de 4% a 8% fixadas em UFIR-RJ. Mas ele tem uma particularidade que muda a conta e raramente é explicada: a alíquota incide sobre a totalidade dos bens transmitidos, não sobre a parcela de cada faixa. O resultado é um degrau — e, na primeira virada, um real a mais de patrimônio custa R$ 1.736 a mais de imposto.
As faixas do ITCMD no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro cobra ITCMD por faixas progressivas de 4% a 8%, fixadas em UFIR-RJ pelo art. 26 da Lei estadual 7.174/2015. Convertidas pela UFIR-RJ de 2026 (R$ 4,9604), as faixas vão de 4% até R$ 347.228,00 a 8% acima de R$ 1.984.160,00. ⚠️ A diferença decisiva em relação à maioria dos estados: no Rio a alíquota incide sobre a totalidade dos bens transmitidos, e não sobre a parcela de cada faixa — o que produz um salto de imposto na virada de faixa.
| Alíquota | Base em UFIR-RJ | Base em reais (2026) |
|---|---|---|
| 4,0% | até 70.000 | até R$ 347.228,00 |
| 4,5% | acima de 70.000 até 100.000 | acima de R$ 347.228,00 até R$ 496.040,00 |
| 5,0% | acima de 100.000 até 200.000 | acima de R$ 496.040,00 até R$ 992.080,00 |
| 6,0% | acima de 200.000 até 300.000 | acima de R$ 992.080,00 até R$ 1.488.120,00 |
| 7,0% | acima de 300.000 até 400.000 | acima de R$ 1.488.120,00 até R$ 1.984.160,00 |
| 8,0% | acima de 400.000 | acima de R$ 1.984.160,00 |
Como as faixas são expressas em UFIR-RJ, os valores em reais mudam todo ano. Um planejamento montado com a tabela de um exercício precisa ser reconferido no seguinte — não porque a lei mudou, mas porque o indexador mudou.
Para comparar com as demais unidades da federação, veja o mapa das alíquotas nas 27 UFs.
O efeito degrau: por que R$ 1 a mais pode custar R$ 1.736
Este é o ponto que distingue o Rio de Janeiro da maior parte dos estados progressivos, e ele tem consequência direta em planejamento sucessório.
Em estados de progressividade marginal — como Santa Catarina —, a alíquota maior alcança apenas o valor que excede o limite da faixa, como no Imposto de Renda. No Rio, não: o caput do art. 26 manda aplicar a alíquota sobre a totalidade dos bens e direitos transmitidos. Quando a base cruza o limite, a alíquota nova incide sobre tudo.
O resultado é um degrau. Uma base de R$ 347.228,00 fica na faixa de 4% e gera R$ 13.889,12 de imposto. Uma base de R$ 347.229,00 — um real a mais — cai na faixa de 4,5%, aplicada sobre o total, e gera R$ 15.625,31. R$ 1,00 a mais de patrimônio custa R$ 1.736,18 a mais de imposto.
O mesmo acontece em cada uma das cinco viradas de faixa, e o salto cresce com o valor. É por isso que, no Rio, a avaliação da base de cálculo perto de um limite deixa de ser detalhe contábil e vira variável de decisão.
As isenções, convertidas para reais de 2026
O art. 8º da Lei 7.174/2015 tem 18 incisos de isenção. Três deles concentram o alcance prático em planejamento familiar, e todos são expressos em UFIR-RJ.
Vale notar a estrutura de cada um. A isenção do monte-mor olha o valor total do espólio, não o quinhão de cada herdeiro. A dos imóveis residenciais exige que a transmissão seja a pessoas físicas e soma os valores de todos os imóveis. E a da doação em dinheiro é apurada por ano civil e por donatário — o que significa que doações sucessivas ao mesmo beneficiário dentro do ano se somam para efeito do limite.
As demais hipóteses do art. 8º são objetivas: ex-combatentes, verbas não recebidas em vida, programas habitacionais, entidades assistenciais, entre outras.
O que o Rio cobra a mais que São Paulo
O contraste com São Paulo, que aplica alíquota única de 4%, mostra o peso da progressividade fluminense sobre patrimônios médios e altos.
| Valor transmitido | Rio de Janeiro | Alíquota efetiva no RJ | São Paulo (4% únicos) |
|---|---|---|---|
| R$ 300.000 | R$ 12.000,00 | 4,0% | R$ 12.000,00 |
| R$ 500.000 | R$ 25.000,00 | 5,0% | R$ 20.000,00 |
| R$ 1.000.000 | R$ 60.000,00 | 6,0% | R$ 40.000,00 |
| R$ 2.000.000 | R$ 160.000,00 | 8,0% | R$ 80.000,00 |
| R$ 5.000.000 | R$ 400.000,00 | 8,0% | R$ 200.000,00 |
Até R$ 347.228,00 as duas contas são idênticas — 4% em ambos. A partir daí elas divergem, e a partir de R$ 1.984.160,00 o Rio cobra exatamente o dobro de São Paulo. Numa transmissão de R$ 5 milhões, a diferença é de R$ 200 mil.
⚠️ Isso não significa que mudar de domicílio resolva: o ITCMD sobre imóveis é devido ao estado onde o bem está situado, e sobre bens móveis, ao estado do domicílio do de cujus ou do doador. O planejamento legítimo trabalha com a estrutura de titularidade e com o momento, não com a mudança formal de endereço.
O Rio e a progressividade obrigatória
Diferentemente de estados como São Paulo e Paraná, o Rio de Janeiro já é progressivo desde a Lei 7.786/2017, e portanto atende à exigência que a EC 132/2023 tornou constitucional. O que fica em aberto é outro ponto: a forma de calcular.
A LC 227/2026 dispõe, no § 2º do art. 156, que para a aplicação das alíquotas “deverá ser considerado o enquadramento do valor da base de cálculo na faixa inicial e, naquilo que a exceder, na faixa subsequente, e assim sucessivamente” — isto é, cálculo por parcela. A sistemática fluminense, que aplica a alíquota sobre a totalidade, segue lógica diferente.
⚠️ A equipe da TaxUp não afirma qual será o desfecho dessa comparação — depende de adaptação legislativa estadual e, eventualmente, de discussão judicial. O registro que interessa ao decisor é que a regra de cálculo do Rio está sob pressão normativa, e que uma eventual migração para o cálculo por parcela reduziria o imposto nas faixas intermediárias.
Vale ainda corrigir um erro corrente: a LC 227/2026 não institui uma tabela nacional de 2% a 8%. Ela exige progressividade e remete o teto ao Senado Federal.
Como a TaxUp trata o ITCMD fluminense
No Rio, o trabalho começa por uma conta que não existe em estado de alíquota única: onde a base de cálculo cai em relação aos limites de faixa. Por causa do efeito degrau, uma avaliação de imóvel próxima a um limite pode mudar a conta em milhares de reais.
A equipe da TaxUp levanta o patrimônio, converte os limites pela UFIR-RJ do exercício, verifica o enquadramento nas isenções do art. 8º e dimensiona o imposto — inclusive em cenários de migração para cálculo por parcela. Nenhum resultado é prometido; o que se entrega é o número. Veja também as páginas de ITCMD em São Paulo e de ITCMD no Paraná, o desenho de holding familiar e o hub de planejamento tributário. Agende um diagnóstico.
Referências e fontes oficiais
Perguntas frequentes
Qual a alíquota do ITCMD no Rio de Janeiro em 2026?
A progressividade do ITCMD no Rio é calculada por parcela, como no Imposto de Renda?
Quanto é o ITCMD sobre R$ 1 milhão no Rio de Janeiro?
Por que R$ 1 a mais de patrimônio pode aumentar muito o imposto no Rio?
Qual o valor isento de ITCMD no Rio de Janeiro?
O Rio de Janeiro precisa mudar o ITCMD por causa da Reforma?
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