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ARTS. 57 E 61 · Faixa · Conteúdo · Evidências · e-CAC

Arquivo Local simplificado.
Seis blocos, sem números inventados.

Quando o valor total das transações controladas, antes dos ajustes, no ano-calendário anterior ao do Arquivo Local é igual ou superior a R$ 15 milhões e inferior a R$ 500 milhões, o art. 57, II, remete aos seis grupos de informação do art. 61 da IN RFB 2.161/2023, sem dispensar as regras de preços de transferência nem os documentos de suporte.

Publicado · Atualizado · Leitura 11 min

A IN RFB 2.161/2023 diferencia o Arquivo Local pelo valor das transações controladas. Quando o total do ano-calendário anterior, antes dos ajustes, é igual ou superior a R$ 15 milhões e inferior a R$ 500 milhões, o art. 57, II, remete ao formato simplificado do art. 61. Simplificado descreve o conteúdo exigido — não uma quantidade de páginas: o arquivo ainda precisa identificar transações, métodos, comparáveis, valores ou intervalos, justificar as escolhas e explicitar ajustes.

01

Primeiro confirme se a faixa simplificada se aplica

< R$ 15 miapresentação dispensada≥ R$ 15 mi e < R$ 500 miArquivo Local simplificado≥ R$ 500 miArquivo Local completoo valor exato de R$ 500 mi entra aqui
O teste não usa faturamento da empresa: usa o total das transações controladas do ano anterior, antes dos ajustes.

Some as transações controladas abrangidas pelo regime e preserve a memória de cálculo da faixa. Abaixo de R$ 15 milhões, a apresentação é dispensada; de R$ 15 milhões a menos de R$ 500 milhões, aplica-se o art. 61; a partir de R$ 500 milhões, o arquivo completo dos arts. 59 e 60.

O diagnóstico de obrigações organiza esse primeiro corte e também indica quando o Arquivo Global deve ser considerado.

02

O que o art. 61 exige no Arquivo Local simplificado

Os seis grupos de informação exigidos pelo art. 61 e a evidência prática correspondente.
#Exigência do art. 61Evidência prática
IEntidades envolvidas, residência, identificação fiscal e vínculoCadastro reconciliado com o grupo e as contrapartes
IITipo, características e valor das transações controladasMapa de fluxos e reconciliação com contabilidade/ECF
IIIMétodos usados em cada transaçãoMatriz transação × método
IVComparáveis e valores ou intervalos resultantesEstudo, fonte, cálculo e conclusão
VJustificativa do método e dos comparáveisMemo de seleção e log de aceitação/rejeição
VIAjustes espontâneos e compensatórios do anoCálculo, documentos e lançamentos aplicáveis

O art. 57, § 3º, deixa claro que o formato simplificado não dispensa a aplicação da legislação a todas as transações controladas nem os documentos de suporte do art. 62. A extensão do arquivo deve ser a necessária para provar esses pontos no caso concreto; não há número normativo de páginas.

03

Método e comparáveis: não existe quota universal

Decisões de comparabilidade que precisam ficar reproduzíveis.
PerguntaRegra de trabalho
Há comparável interno?Deve ser investigado antes de depender de pesquisa externa, se puder oferecer maior confiabilidade.
Comparável estrangeiro serve?Pode servir quando as diferenças de mercado forem identificadas e ajustadas de forma razoavelmente precisa.
Quantos comparáveis?Não há mínimo ou máximo universal. O conjunto deve sobreviver aos critérios de comparabilidade.
Qual intervalo?O art. 47 distingue comparável único, intervalo completo e intervalo interquartil conforme a confiabilidade e as incertezas remanescentes.

A busca começa pela transação delineada e verifica comparáveis internos antes de recorrer a fontes externas, conforme o art. 21 da IN. Não existe quantidade geral obrigatória. Cada candidato deve ser aceito ou rejeitado por características economicamente relevantes, independência, confiabilidade dos dados e possibilidade de ajustes razoavelmente precisos. Dados plurianuais podem ser usados quando aumentarem a confiabilidade; quando formarem o intervalo, aplicam-se as condições e a média ponderada do art. 30. O intervalo será completo ou interquartil conforme as incertezas previstas no art. 47.

O estudo de benchmark deve preservar essas decisões e sua trilha de evidências. Veja também os métodos de Transfer Pricing e a análise de comparabilidade arm’s length.

04

A análise funcional liga contrato, conduta e remuneração

A análise FAR não premia mecanicamente quem “faz mais”: ela identifica contribuições economicamente relevantes e quem controla os riscos e tem capacidade financeira para assumi-los.
DimensãoPerguntas que o arquivo precisa responderEvidência
FunçõesQuem desenvolve, fabrica, compra, vende, presta suporte e toma decisões?Entrevistas, processos, alçadas e registros operacionais
AtivosQuais ativos tangíveis e intangíveis são usados e por quem?Imobilizado, contratos, registros de marca, sistemas e dados
RiscosQuem decide sobre o risco, responde às consequências e tem capacidade financeira?Contratos confrontados com a conduta, políticas, limites e decisões

O resultado sustenta o delineamento da transação, a escolha do método e, quando aplicável, a seleção da parte testada. Rótulos como “distribuidor de baixo risco” ou “fabricante por contrato” só são úteis quando correspondem aos fatos documentados.

05

A prova precisa existir contemporaneamente

Contrato e fatosRazão e invoicesMétodo e pesquisaCálculo e ajustesArquivo e reciboquem fez o quêvalor reconciliadopassos reproduzíveisponte até a ECFversão entregue
O art. 62 exige organização contemporânea e guarda dos documentos de suporte.

O art. 62 obriga o contribuinte a organizar os documentos de suporte contemporaneamente às transações e a mantê-los para apresentação à fiscalização. O art. 63 permite exigir que a empresa reproduza, em suas instalações e na presença da autoridade, as consultas feitas nas bases de comparáveis.

Isso muda o critério de qualidade: uma tabela final sem contratos, dados-fonte, filtros, aprovações e memória de cálculo não é uma trilha reproduzível.

06

Reconcilie o arquivo com ECF, contratos e contabilidade

Mapa mínimo de consistência antes do protocolo.
FonteO que deve fecharDiferença que precisa ser explicada
Razão e demonstraçõesValores por natureza e contraparteClassificações, câmbio e cortes de período
Contratos e invoicesObjeto, partes, moeda e remuneraçãoConduta real diferente do contrato
ECFOperações, ajustes e informações declaradasEscopo ou taxonomia distinta
Arquivo GlobalFunções, cadeia de valor e política do grupoNarrativa global incompatível com os fatos locais
DPP/CbCRTotais agregados usados como sinal de riscoPerímetro, moeda e definições diferentes

A DPP/CbCR não prova a transação, mas pode revelar assimetrias que a fiscalização investigará. A reconciliação deve separar divergência explicável de erro e deixar a explicação anexada ao pacote de trabalho.

07

Prazo e envio: três meses após o prazo da ECF

Prazo da ECFinicia a contagemAté +3 mesesLocal + GlobalProcesso anuale-CAC + recibos
Arquivo Local e Arquivo Global são entregues separadamente da ECF, no prazo do art. 56.

A Receita orienta a abrir um processo por ano-calendário e a usar o mesmo processo para complementações ou retificações. Cada PDF pode ter até 15 MB; um documento admite até 99 arquivos; material não paginável segue em ZIP, em regra até 150 MB.

O cronograma interno deve retroceder a partir desse prazo e refletir o caso concreto: número de transações, disponibilidade de contratos e dados, necessidade de pesquisa e aprovações no Brasil e na matriz.

08

O risco não termina na multa por atraso

Eventos do art. 66 relevantes ao Arquivo Local.
FalhaConsequência
Atraso0,2% por mês-calendário ou fração sobre a receita bruta do período
Apresentação fora dos requisitos3% sobre a receita bruta do período
Não entregar documento requerido ou embaraçar a fiscalização5% sobre o valor da transação correspondente
Informação insuficienteArt. 65 permite alocação de funções, ativos e riscos à entidade brasileira e uso de estimativas razoáveis

As multas do art. 66 têm piso de R$ 20 mil e teto de R$ 5 milhões por multa. Por isso, a revisão deve testar não apenas se o arquivo existe, mas se ele cumpre os seis itens, reconcilia os números e permite reproduzir o método.

09

Referências e fontes oficiais

Monte o arquivo a partir das seis exigências reais

A equipe da TaxUp enquadra a faixa, organiza dados e responsáveis, documenta método e comparabilidade e reconcilia o Arquivo Local com contratos, ECF e contabilidade.

Solicitar revisão do Arquivo Local
10

Perguntas frequentes

Quem pode usar o Arquivo Local simplificado?
Quem teve, no ano-calendário anterior e antes dos ajustes, transações controladas de R$ 15 milhões ou mais e menos de R$ 500 milhões. A partir de R$ 500 milhões, o Arquivo Local é completo.
Quantas páginas o Arquivo Local simplificado precisa ter?
A IN RFB 2.161/2023 não fixa número de páginas. O art. 61 fixa seis grupos de informação, e o art. 62 exige documentos de suporte capazes de provar a aplicação das regras. O tamanho depende do número e da complexidade das transações, dos métodos, dos comparáveis, dos ajustes e da qualidade dos dados. Robustez é cobertura e reprodutibilidade, não volume.
Existe número mínimo de comparáveis?
A lei e a IN não estabelecem mínimo ou máximo geral. O art. 21, § 3º, contém uma regra estreita: se uma busca externa sob PRL, MCL ou MLT deixar menos de quatro comparáveis depois dos filtros apropriados, inclusive independência de 20%, o critério pode ser flexibilizado para 25% somente quando isso aumentar a confiabilidade. Qualidade, reconciliação do universo e justificativa de cada aceitação ou rejeição prevalecem sobre uma meta de contagem.
Comparável brasileiro dispensa ajustes geográficos?
A análise é caso a caso. Pelo art. 23 da IN, os comparáveis devem ser normalmente procurados no mercado geográfico onde a parte testada opera. Se não houver informação disponível ou confiável, podem ser usados comparáveis de outros mercados, desde que diferenças materiais possam ser tratadas por ajustes razoavelmente precisos. “Doméstico” se refere ao mercado da parte testada, não automaticamente a uma empresa brasileira.
O arquivo precisa ser refeito integralmente todo ano?
A documentação do período precisa refletir as transações e os dados daquele ano, mas a IN não impõe um “rebenchmark integral anual” universal. A extensão da atualização depende de mudanças no delineamento, funções, ativos, riscos, mercado, parte testada, método, indicador, cobertura da base, comparáveis e dados financeiros. Dados plurianuais e atualização da busca são decisões distintas e devem ser justificadas.
Qual é o prazo de entrega?
Até três meses após o prazo da ECF, em Processo Digital no e-CAC, conforme o art. 56. A entrega não ocorre junto com a ECF.
Como funciona o diagnóstico gratuito da TaxUp?
O diagnóstico inicial é uma reunião de 30 minutos, sem custo e sem compromisso, conduzida por um consultor sênior. Mapeamos a situação tributária da empresa, identificamos as oportunidades aplicáveis e indicamos o caminho técnico mais sustentável — independentemente de você seguir conosco. Para casos urgentes (autuação recente, prazo decadencial próximo, edital de transação ativo), a análise pode ser priorizada.
Quem conduz o projeto na TaxUp?
O consultor responsável conduz o projeto pessoalmente, do diagnóstico inicial à entrega final. Você fala diretamente com quem assina o parecer e decide a tese — sem camadas hierárquicas intermediárias. Sustentação oral em CARF e tribunais superiores é sempre conduzida pelo consultor que conhece o caso desde o início.
Como é o modelo de honorários?
Varia por tipo de projeto. Para recuperação de créditos com tese consolidada, trabalhamos preferencialmente em success fee (sem custo antecipado, percentual sobre o valor recuperado). Para projetos complexos com perícia ou tese controvertida, modelo misto (fixo reduzido + êxito menor). Para Transfer Pricing, Compliance e Planejamento, honorário por escopo. Em todos os casos, o modelo é proposto após o diagnóstico inicial gratuito.
AUTORIA TÉCNICA

Equipe TaxUp · Prática Tributária

Direito Tributário

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